Friday, October 12, 2007

A Estreia

O artista entra em palco, o negro assume a totalidade do lugar, um vestido branco que esvoaça, deambula pelo espaço, flutuando sem arrasto, sem pesar, sem dor nem angustia. O cabelo solto pendente pelo corpo, o olhar certo de quem vê, revela uma figura de ser presente, com formas de linhas estreitas, partes iguais que se encaixam e formam aquela figura. Perfeita ou não, a sua passagem, a sua entrada, a sua presença revela um sentir forte de confiança, sem medo do escuro do palco, do escuro da vida. Apenas uma cadeira assente no meio do palco, de frente para mim, para nós, para o nada. Sentada contempla a agitação, o silêncio, o olhar de quem olha, o vazio de todos aqueles que não sabem o que é olhar de frente, olhar para dentro e verem que nada são, porque tudo é. A pouca luz existente vem dela, daquela figura que agora em pé, caminha. Numa troca perfeita de passos, numa agilidade sem medo, um caminhar de certeza que nada revela de dúvidas. Caminhando no vazio daquele palco, revela a vontade de caminhar pela vida, com o sentir de que tudo existe no lugar e no tempo certo, para aqueles que se entregam sem dúvidas de viver, sem medo de sentir e com vontade de serem aquilo que são. Pois cada um escolhe o que sentir, o que pensar e como viver. Ela sim escolheu sentir, que se parta em mil pedaços mas nunca mais vai ter medo de sentir. O que pensa, revela a imensidão da sua alma, a grandeza do ser, como espelho daqueles que a encontram no caminho que percorre. Como vive, sem dor, tranquila que a escolha de cada dia é a revelação da sua vontade e que tudo o que vive é o fantástico de existir. E se ama, perguntam vocês?! com toda a força do ser. Ama e é amada por aqueles que simplesmente estão pelo que se é, sem apego, sem dor nem sofrimento. Ama aqueles que tudo e nada representam, sem que alma se perca, sem que a sua essência fuja de si mesma. Ama apenas porque o sente como força primordial daquilo que é e daquilo que tem como existência singular, de todos os que a fazem amar. E assim sai aquela figura do palco, que nada disse e tudo revelou, simplesmente porque se permite existir.


Maria

Monday, September 24, 2007

Guilherme



Guilherme, que a tua vida seja sempre uma caminhada iluminada por ti mesmo e que todos os que cruzam o teu caminho te tragam sempre sabedoria, alegria, tranquilidade, felicidade e amor pelo ser fantástico que és.


Maria

Thursday, September 20, 2007

Mensagem


"Minha querida Maria, hoje que completas 2 anos de idade, quero te dizer, que nunca te esqueças de sorrir todos os dias, que o amor incondicional da tua mãe é eterno e que os seus olhos estão sempre em ti. Que a tua vontade é a força maior que tens dentro de ti e que a grandeza de quem és, vem dessa força. Que ao longo da tua existência te ames a ti, como aos outros e que nos momentos menos bons, que nunca te agarres ao medo, pois ele simplesmente não existe. Que percorras o teu caminho com passos de quem flutua, pois a vida é harmonia, felicidade e amor por tudo aquilo que és. Que enfrentes todas as encruzilhadas com um sorriso e muita tranquilidade. Que reflictas a alegria do teu ser, em cada passo que dás, em cada novo ser que encontras. Que te dês por inteiro a tudo o que acreditas e que nunca sintas que a vida por minutos pára, porque a força da tua existência será sempre aquilo que vives e sentes no agora."


(as palavras que tudo dizem...mesmo agora...sejas bem vinda)


(vera obrigada pelo teu sinal...)


(o meu sobrinho nasce hoje :), bem vindo Guilherme )


Maria

Wednesday, September 19, 2007

O ensaio

O rosto que vi não conhecia, um olhar apagado, uma falta de expressão, de vida, nesse corpo que te pesa, que te doí, que te grita para parares porque já não aguenta mais essa luta permanente em que vive. Quis abraçar-te nada era mais certo, sem impulso, sem pensar, uma certeza que se sente. Senti-te a medo, do que vinha, do que queria, do que sou. Falamos em paz de tudo e de nada, porque abrir o coração é difícil, por vezes impossível, sem sequer haver razão aparente. Estive eu, centrada em mim, com vontade de ti e tu cedes-te, baixas-te as armas e estiveste, sem pensar, sem questionar, simplesmente estar. E se me fui não foi porque o senti de ti, foi porque o momento assim o quis, porque sabemos que há mais para dizer, para sentir, mas não ali, naquele agora e sai, sem vontade de ficar, sem medo de não voltar e abracei-te, porque nada menos podia existir. Voltei a ver-te e senti-te outra vez, tu em mim e eu em ti, com vontade de não quebrar, com a vontade que nos funde, que nos une na essência dos seres. E apesar de hoje te ouvir, sei que não estamos, porque ambos sabemos que a expressão da nossa alma ainda não aconteceu, que a fuga ainda não terminou, que a luta ainda não cessou e apesar de te procurar, sei que sabes e eu sei que sei, que o agora desse dia, não era ali, mas sim no dia que esse agora for a nossa escolha.
Maria

Monday, September 17, 2007

Thursday, September 13, 2007

O coração do artista

E se o artista derrepente abre o escudo que lhe protege o coração com medo de sofrer, encara uma verdade que o assusta. A vontade de sentir combate com o medo de voltar a sofrer e então a luta derruba-o e enquanto não cair, não se partir em mil pedaços, não gritar, não quebrar aquele escudo, a não existência vai ser um sentimento constante, a fuga para a frente será a lei que a mente dita. Mas se ouvir o coração no silêncio da sua verdadeira essência, o que já se permitiu sentir falará mais alto. A certeza da vontade de viver, sentir e amar vencerá o medo. Quem um dia por momentos conseguiu voar, nunca mais vai conseguir ficar para sempre em terra.
(miga obrigada pelo comentário ao artista...que se permita)
Maria

Wednesday, September 12, 2007

O palco

E derrepente cai o pano, o artista sai do palco e a visão que tenho é do que a realidade da vida me mostra. Uma ausência, uma tristeza profunda, uma raiva e zanga presente, mascarada pelas roupas bonitas, pelo penteado e cor de pele impecável, onde tudo parece perfeito mas de tão perfeito não o é. Os risos que se ouvem, as gargalhadas e sorrisos de olhar brilhante. Riso de dor, brilho de lágrimas contidas porque chorar não faz parte do cenário de felicidade que lutas todos os dias para representar. A felicidade, a vida, o amor e a paixão nada têm de luta, nada têm de sofrimento, simplesmente se sentem. Sentem-se por dentro, sem medo que a dor e a revolta, o engano e a tristeza voltem. Sentem-se quando te deixas tocar, sentem-se quando abres a porta do coração e não tens medo de mostrar o que ai está dentro, sentem-se quando a ausência do sentir se tornou insuportável e queres apenas gritar que te amem e nunca mais te deixem só.


Maria